Altair
Antunes Guimarães, 58 anos e presidente da Associação dos Moradores e
Pescadores da Vila Autódromo, tem em sua trajetória diversas mudanças por causa
de remoções. Aos 14 anos, foi desalojado com a família da Ilha dos Caiçaras, na
Lagoa Rodrigo de Freitas. Em 1990, residindo na Cidade de Deus, teve que buscar
um novo local para morar devido à construção da Linha Amarela. Desde 1995, na
Vila Autódromo, Altair é um dos 939 moradores que tentam reverter a decisão
tomada pela prefeitura do Rio, em março deste ano, de remover a comunidade para uma área
distante a um quilômetro da vila. O consórcio Parque Olímpico, formado
pelas construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Carvalho Hosken será responsável pelo projeto de
reassentamento desses moradores em 920 apartamentos num conjunto habitacional
denominado Parque Carioca.
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| Vista aérea da Vila, situada entre a Av. Salvador Allende e o Autódromo |
O embate entre a comunidade Vila Autódromo e o prefeito do Rio Eduardo Paes remonta a 1993. No cargo
de subprefeito da Barra da Tijuca, ele comandou uma tentativa de despejo dos moradores com a justificativa de causarem "dano visual, ambiental e
estético". Em resposta, foi elaborado um projeto para garantir o
recuo das construções situadas na área de preservação permanente, que atinge
menos de 5% da área da comunidade, segundo o Portal Popular da Copa. Já no poder, o prefeito colocou entre suas metas de governo “reduzir em 3,5% as áreas ocupadas por
favelas no Rio”. Deste modo, a Vila Autódromo foi incluída na relação das 119
comunidades a serem removidas integralmente até 2012. Após uma manifestação em
frente à Prefeitura, em fevereiro de 2010, Paes recebeu representantes dos moradores, mas insistiu na tese da remoção, alegando ser uma exigência do
Comitê Olímpico Internacional.
Segundo representantes da comunidade, o projeto vencedor do concurso internacional para a construção do
Parque Olímpico, mantém a Vila Autódromo onde está reconhecendo-a como Área Especial
de Interesse Social. Entretanto, “a Prefeitura alterou a rota da Transcarioca,
somente para passar por cima da comunidade. Essa mudança pretende legitimar a
remoção de 500 famílias e a cessão para o consórcio privado de uma área de
1,18milhões de m2, dos quais 75% serão destinados à construção de condomínios
de alta renda. Essa alteração foi apresentada quando a prefeitura teve que
buscar mais uma justificativa para a ilegal e injustificável remoção da
comunidade.”
No dia 16
de agosto, os moradores da Vila Autódromo apresentaram ao prefeito Eduardo Paes
um Plano Popular de desenvolvimento urbano, econômico, social e cultural, elaborada com assessoria de urbanistas da UFF e UFRJ para reassentamento e urbanização em áreas da própria
comunidade. O prefeito disse
que daria uma resposta aos moradores em 42 dias, portanto, em 27 de setembro.


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