IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (1ª Parte)
jornalismo em tempo de economia verde
Acompanhei no mês passado, na Puc-Rio, a intensa programação do 4º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental. Diversos temas foram abordados nas palestras, oficinas, painéis e plenárias do congresso. As participações dos congressistas e palestrantes propiciaram uma série de reflexões e serviu para reafirmar a importância e a responsabilidade social dos jornalistas e editores que trabalham com pautas ambientais.
Na manhã de abertura os congressistas foram surpreendidos com a confirmação de uma notícia que circulava entre os profissionais da área: havia mesmo um vazamento de grandes proporções num dos poços da Chevron.
Infeliz coincidência ou comprovação da relevância estes profissionais, que buscam mais transparência e comprometimento de toda a sociedade nas questões ambientais? As duas coisas. A propósito, esta informação foi dada em primeira mão por André Trigueiro aos que na Abertura do evento.
Um dos desafios dos jornalistas que atuam neste setor é "identificar e escolher boas fontes uma vez que elas flertam e fazem lobbies nesse meio", como afirmou no painel Jornalismo em tempo de Economia Verde, o editor da revista Ideia Sustentável, Ricardo Voltolini:
- Há um vício de escolher as mesmas fontes, mas elas precisam ter contextualidade. Estamos escolhendo as empresas que realmente estão fazendo as transformações? Quantos líderes empresariais agem por convicção e quantos agem por conveniência? Será que a gente está conseguindo encontrar fontes dentre os líderes que agem por convicção?
Autor de Conversas com líderes sustentáveis, Voltolini criticou o governo Lula por ‘não ter enfrentado o desafio dos motores eco-eficientes’ e apontou a ‘carência de líderes na sociedade civil e entre os politicos e empresários. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, o último líder da sociedade civil foi o Betinho e não apareceu ninguém depois dele que fosse capaz de mobilizar toda a população, como ele fez’.
Ele iniciou sua fala com uma análise sobre o contexto da chamada Economia Verde:
- Vivemos um tempo em que já se sabe que os recursos naturais são escassos e que o processo de aquecimento global é capaz de alterar a relação de equilíbrio entre o homem e o meio onde ele vive. De modo muito simplista, para resolver este problema basta que empresas e indivíduos consumam de modo mais sustentável, e governos ajudem empresas e indivíduos a consumirem e produzirem de modo mais sustentável.,
Mas a solução não é tão simples assim. O que é fácil de dizer se torna difícil de pôr em prática. E aí surge um outro desafio ainda mais complexo para os profissionais da comunicação:
- Estamos falando de mudança de modelos mentais de negócios e indivíduos, num cenário em que as pessoas e as empresas não percebem, hoje, exatamente os impactos nocivos desse quadro, que é sempre visto como um quadro com impactos futuros. É aquela velha conversa: ‘não percebemos os efeitos porque de alguma maneira eles não estão batendo em nossa porta’... e não há nada que obrigue pessoas e empresas mudarem essa mentalidade.
Qual o papel do jornalismo nisso tudo?
- Acredito que, sem fugir à missão original de informar melhor, o jornalismo deve ter a função de acelerar esse processo de mudança. A gente está falando de agendar melhor esse tema, informar, sensibilizar...
Trazendo a discussão para o cotidiano das editoras da revista Plurale e do caderno Razão Social/O Globo, presentes à mesa, Voltolini ressaltou que existem hoje organizações que cobram dos jornalistas mais espaço na imprensa e, então, se questiona: ‘espaço para quem, para qual tipo de notícia?’
- Quando se discute mais espaço para os temas ambientais há inúmeras pautas possíveis. São pessoas pedindo que os jornais sejam mais ativos e atuem no sentido de prevenir, empresas que nos procuram a fim de mostrar que têm projetos legais para mudar seu modelo de produção... então temos sofrido pressões de consumidores, leitores e organizações da sociedade que nos cobram espaço para ‘notícias boas’. Mas nós não temos que dar notícias boas. Temos que falar da realidade, daquilo que está acontecendo.
Voltolini concluiu chamando atenção para o fato de haver hoje uma confusão entre jornalismo e redes sociais:
- É importante dizer que jornalismo é feito por jornalistas. Redes sociais espalham notícias e opiniões, e assim, a cada dez segundos surge um novo especialista... Devemos ter muito cuidado com teses de sustentabilidade. O que é verdade hoje pode não ser depois de amanhã. Sustentabilidade é um alvo móvel’.
Mídias sociais e Sustentabilidade foi tema da oficina moderada por Alan Dubner, diretor de marketing e CEO da Cybermind Comunicação Interativa. Dubner apresentou sites com iniciativas de ativismo na área ambiental e exibiu o documentário The History of the stuffs, curta-metragem que explica didaticamente os elementos do sistema de produção e a mentalidade consumista americana.
A escritora e documentarista Annie Leonard viajou pelo mundo durante dez anos e descobriu "de onde vêm, para onde vão e o que acontece com as coisas que compramos quando nos desfazemos delas". Annie, que é norte-americana, chegou as seguintes conclusões:
- 99% das coisas que cultivamos, processamos, tranformamos e percorrem o sistema são lixo em menos de seis meses;
- A obsolescência planejada e a obsolescência percepetiva são estratégias desse sitema, o que torna os EUA, com extensão territorial de 5% do planeta, um país que explorador de recursos de área cinco vezes maior que a sua.
A escritora e documentarista Annie Leonard viajou pelo mundo durante dez anos e descobriu "de onde vêm, para onde vão e o que acontece com as coisas que compramos quando nos desfazemos delas". Annie, que é norte-americana, chegou as seguintes conclusões:
- 99% das coisas que cultivamos, processamos, tranformamos e percorrem o sistema são lixo em menos de seis meses;
- A obsolescência planejada e a obsolescência percepetiva são estratégias desse sitema, o que torna os EUA, com extensão territorial de 5% do planeta, um país que explorador de recursos de área cinco vezes maior que a sua.
Para definir ‘como as coisas andam’ nas mídias sociais, Dubner usou o conceito de netweaving, que num sentido amplo é a aptidão dos que articulam, animam e conquistam seguidores nas redes sociais. ‘Netweaving é algo como o comportamento das cegonhas que voando em bando, mudam de rumo quando uma delas voa em uma determinada direção’, explicou Dubner. Ele dirigiu uma desconcertante dinâmica de ‘quebra gelo’ em que os participantes escolhiam um dos colegas para apresentar, sem nunca terem se conhecido. Foi preciso muita imaginação para inventar uma identidade falsa para a pessoa na sua frente... Em seguida, cada um falava de si.
Ao final da oficina, os participantes projetaram o site Jornalismo Ambiental que já está em atividade, com diversos conteúdos sobre o IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental.
Que venha o 5º CBJA repleto de boas novidades, com muito trabalho na Rio+20, que acontecerá entre os dia 4 e 6 de junho de 2012.
![]() |
| Oficina de Mídias Sociais |
Que venha o 5º CBJA repleto de boas novidades, com muito trabalho na Rio+20, que acontecerá entre os dia 4 e 6 de junho de 2012.



Nenhum comentário:
Postar um comentário