China e Estados Unidos, dois maiores emissores mundiais,
firmam acordo para combater mudanças climáticas. Notícia é positiva, mas
poderia ser mais ambiciosa.
Negociado de forma privada durante meses, esse acordo é o
primeiro passo concreto da China em relação a metas internacionais de emissões
de gases de efeito estufa. Esse país se comprometeu a iniciar a redução de
emissões a partir de 2030 – podendo, inclusive, antecipar esta data – e ter 20%
de energia limpa em sua matriz energética no mesmo ano. O presidente chinês Xi
Jiping afirmou que o país irá instalar até 1000GW de energias limpas até 2030,
o que significa quase todo o setor de energia dos Estados Unidos.
Pelo mesmo acordo, os Estados Unidos, segundo maior emissor
mundial se compromete a diminuir suas emissões entre 26% e 27% em relação aos
níveis de 2005. É a primeira vez que Obama amplia a proposta de redução para
além da meta de 17%, até 2020.
As notícias são positivas, mas poderiam ser mais ambiciosas e
ainda há uma lacuna entre política e ciência. Se o mundo quer evitar os
impactos mais perigosos e danosos das mudanças climáticas, o pico de emissões
da China pode e deve acontecer muito antes que 2030.
“Os cientistas trazem cada vez mais evidências da urgência
climática e, grandes potências como Estados Unidos e China, dão sinal de se
importar e começam a agir. Enquanto isso, o Brasil parece ter caminhado para
trás. Vemos o desmatamento subindo e uma forte preferência por investir em
combustíveis fósseis na próxima década”, disse Márcio Astrini, coordenador de
políticas públicas do Greenpeace Brasil.
Ainda restam algumas questões relacionadas às metas das emissões do acordo da Organização das Nações Unidas que devem ser apresentadas em março do ano que vem e entrar em vigor depois de 2020.
Dentro do cronograma da ONU, os países devem apresentar suas
“contribuições nacionalmente determinadas” em março de 2015, o que explica a
importância da Conferência do Clima que acontecerá em Lima, no Peru, em menos
de um mês.
“Trata-se de uma etapa preparatória importante e será um
momento no qual o Brasil poderá mostrar se quer retomar o protagonismo no tema
das mudanças climáticas e se tomará o rumo certo ou continuará na contramão, com
uma curva de emissões em alta”, continuou Astrini.
Expectativa por ações mais ambiciosas na Conferência do Clima das Nações Unidas em Paris, 2015
Do lado da diplomacia, este acordo é extremamente
encorajador: os dois países que são os maiores emissores perceberam que estão
juntos nessa missão e que terão que agir juntos.
As negociações privadas foram longas e ultimamente os dois
presidentes vêm dando sinais de que estão dispostos a superar interesses
econômicos para reconhecer a responsabilidade compartilhada nesse assunto.
Este é um bom sinal para o acordo climático global que deverá
ser assinado na Conferência do Clima das Nações Unidas em Paris, em dezembro de
2015. Se as duas potências estão levando a sério a ciência das mudanças
climáticas, então, esse anúncio conjunto pode ser o começo de uma série de
ações climáticas mais ambiciosas.
Fonte: Redação do Greenpeace (texto editado)

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