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13 novembro 2014

"Beijei a sarjeta"

O cicloativista e estudante de cinema da UFF, Guilherme Farkas relata como se acidentou, no dia 12/11, pedalando na ciclofaixa da rua Tiradentes.

"Acabei de sofrer meu primeiro acidente de bike em Niterói (relaxa galera, tô bem). Já tinha sofrido dois acidentes de bike em SP, nos idos de 2009. Na época foram duas portadas (quando você esta passando de bike e de repente abre-se magicamente uma porta de carro na sua frente e você é lançado metros de distancia como em um estiligue). Mas não foi o caso de hoje aqui em Niterói.


Guilherme Farkas
Vinha pedalando na ciclofaixa (isso, ciclofaixa, sem segregação física, só sinalização horizontal) da Rua Tiradentes (estrutura cicloviária que integra o dito “circuito universitário”), vindo da Pca. Cantareira sentido Ingá. Essa ciclofaixa é de duas mãos, tem sinalização assim e foi projetada dessa forma. Na ocasião eu pedalava na ciclofaixa no sentido oposto da circulação dos carros. Em frente a faculdade de economia da UFF, vinha vindo uma motocicleta invadindo parcialmente a ciclofaixa. Algo comum, o motoqueiro invadia uns 50 cm de ciclofaixa. Até ai tudo certo (tudo errado na verdade! A ciclofaixa não é para ser invadida nessas circustânticas. Mas como a prática é quase diária por ali, achei normal), ele estava vindo e eu o via, ia desviar sem grandes desafios técnicos. Porém não mais que de repente, um carro, parado atrás de um ônibus (aquele vermelho, o 47) que parava no ponto para o desembarque dos passageiros, decide ultrapassar o coletivo invadindo a ciclofaixa.

O motorista claramente me viu, mas como a ciclofaixa tem aproximadamente 2 m de largura, ele viu que dava para invadir a ciclofaixa mesmo com minha presença lá. O problema (e talvez a causa do acidente) foi que o bendito motorista que ia ultrapassar o ônibus pela ciclofaixa, não viu no seu espelho retrovisor que vinha o motociclista (sim aquele que eu falei no início!) e assim o fechou. 

O motorista que invadia a ciclofaixa fechou o motociclista que também invadia a ciclofaixa que por sua vez me fechou (e eu na ciclofaixa 'de bosss'). Porém a fechada do motorista no motociclista fez com que a moto invadisse ainda mais a ciclofaixa, diminuindo ainda mais o meu espaço. Não sobrou nada para mim além de beijar a sarjeta. Resultado, capotei e somente dei uma ralada no joelho. Nada de mais, a gravidade do acidente não é o assunto central aqui, e sim as circunstâncias. Se bem que capotar e cair no chão nunca é gostoso.


Me pergunto: caraca que coisa essa! Uma infraçãozinha aqui somada com outra infraçãozinha ali pode dar 'merda'. Motorista não leva essa ciclofaixa a sério. Motoristas não levam estruturas cicloviárias a sério. A sociedade não leva outras formas de transporte urbano a sério. Barca lotada, ônibus lotado, trem lotado, metrô lotado, ciclofaixa invadida, calçada invadida. Para que? Para que cada um possa sentar confortavelmente sozinho em seu automóvel com ar-condicionado ligado.

Os privilégios do espaço público urbano são entregues de bandeja aos automóveis. E que mal uso eles fazem, diga-se de passagem! Se destinar grandes áreas urbanas ao estacionamento de carros, alargamento de vias, construção de túneis e viadutos for a melhor ideia que temos em pleno 2014, que lixo! A barbárie da sociedade do automóvel reina sozinha. 

Massa, que morramos no caminho do automóvel se isso for escolher outra forma de transporte urbano. As ruas são para o amor, o carnaval, a festa e a alegria. Não aos automóveis!"


(Transcrito do Facebook de Guilherme Farkas, em 12/11/2014)

10 novembro 2014

Monitoramento de ciclofaixas em Niterói (RJ)

No último sábado (8/11), pedalamos em ciclofaixas do bairro do Ingá (Niterói) e flagramos na rua Tiradentes, uma irregularidade cometida frequentemente desde que a Prefeitura implantou esta via exclusiva para bicicletas. Na altura do mercado Jóia, situado na esquina com a rua Dr. Nilo Peçanha, um carro estacionado com duas rodas na ciclofaixa e as outras duas em cima da calçada, estava duplamente errado. Ao notarem a presença da reportagem, dois pedestres - um deles empurrando um carrinho de bebê - iniciaram um protesto e o motorista do carro, que saía do mercado apressou-se em tirar o carro do local.

Esse foi o comentário do motorista infrator, ao entrar no carro:

- Com essa mer.. de ciclovias, todo mundo se acha dono da rua!

Essa fala revela a total falta de educação e a certeza de impunidade dos que desrespeitam as ciclofaixas, uma via desprovidas de blocos segregadores, a qual muitos ciclistas niteroienses se opõem pelo risco de acidentes causados pela invasão de veículos motorizados.


Campanhas e ações pró-bicicleta

Os cartazes provocativos colados em vários bairros de Niterói e a mobilização crescente de cicloativistas, com a I Plenária da Bicicletada - Massa Crítica/Niterói, que acontece mensalmente, fazem soprar uma brisa de esperança.

E, também, a certeza de que as políticas do atual governo, que se quer "participativo", não serão capazes de imprimir por si só, resultados em suas propostas de implantação e ampliação das rotas cicláveis em Niterói.

É preciso ação direta e luta diária não só de ciclistas mas também de pedestres, como este que vimos na rua Tiradentes, para garantir um ir e vir mais sustentável, com a redução de carros nas ruas.

As ações diretas de cicloativistas e cidadãos
pró-bicicleta pretendem inverter essas legendas.