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06 outubro 2013

Mobilidade, mobilização e desafio dos modais

A população de Niterói não aprovou as ciclofaixas temporárias pintadas no asfalto em ruas do Centro, São Domingos e Ingá, durante a Semana da Mobilidade. O próprio vice-prefeito Axel Grael, também coordenador do Escritório de Gestão de Projetos, e o arquiteto Argus Caruso Saturnino, responsável pelo Plano Cicloviário da cidade, concordam que elas devem ser segregadas para atender adequadamente as expectativas de ciclistas, skatistas e outros que fazem uso de ciclos - veículos de pelo menos duas rodas a propulsão humana.

Apesar das críticas ao investimento de parte considerável da verba total do evento (R$ 40 mil) em tinta vermelha, que em alguns locais teve que ser logo retirada para evitar acidentes, a semana serviu para os niteroienses verem que a mobilidade é um dos eixos da política municipal. E que os técnicos não podem discutir apenas entre eles o desafio dos modais (integrar terminais das barcas, ônibus e futuras estações dos BRTs com os ciclos), a implantação do Plano Cicloviário e o compartilhamento das vias e das calçadas.
Bicicletada Niterói/Massa Crítica de 20 setembro: uma semana depois,
um dos participantes teve seu cicloveículo furtado, na Praça Araribóia.

 A fim de que tudo isso ocorra, será preciso uma política de educação para mudança de hábitos de deslocamento e da população para que não se registre. A superação de questões como a falta de segurança, de infraestrutura e integração dos diversos órgãos do município implicados farão avançar os objetivos. Como declarou Argus em entrevista a este blog, é preciso "ligar os fios soltos" e, para isso acontecer NitTrans, Secretaria de Educação, de Urbanismo, de Meio Ambiente/Sustentabilidade, empreiteiras e toda população deve participar e se unir, para que não haja repetição de fatos absurdos como o furto de 100 cones durante a madrugada, na véspera da Semana. 

A Bicicletada Niterói/Massa Crítica dá belo exemplo de ciclocidadania partindo, toda terceira sexta-feira do mês, à noite, da Estação das barcas, no Centro, num passeio até São Francisco, pelo circuito universitário, cuja implantação, os ciclistas aguardam com certa ansiedade.

Bicicletários e ciclovias - A retirada de uma tradicional ciclofaixa na Avenida Franklin Roosevelt, que está sendo substituída por uma ciclovia na rua Timbiras (São Francisco) e o furto crescente de bicicletas na Praça Araribóia, sem bicicletários seguros, não devem servir como pretexto para invalidar a utopia dos que desejam planejar com a sociedade a Niterói do futuro.  O coordenador Argus Caruso sugeriu que seja criado no local um bicicletário com vigias: "Pode-se contratar pessoas para ficarem ali durante o dia, e os ciclistas pagarem 1 real". 

Propomos que a empreiteira que ganhar a licitação da Operação Urbanística Consorciada seja obrigada a construir um bicicletário com pelo menos cem posições, junto a estação das barcas e, outro (como comentou Argus, outro dia ao sairmos do evento da Mobilidade) nos fundos do Terminal Rodoviário. Quem vigiará ou vai explorar estes estacionamentos é uma outra questão. 

O fato é que, se motociclistas estacionam hoje seus veículos gratuitamente, com ínumeras vagas à disposição, ao lado da garagem de carros da estação, por que os ciclistas não tem os mesmos direitos modais e tem que disputar meia dúzia de postes, contando com a  sorte (ou com olhar vigilante da estátua de Araribóia!) para não perder suas bikes? Os guardas municipais e as patrulhas da Polícia Militar podem prestar um bom serviço a essa parcela de eleitores e contribuintes, enquanto não se decide o que será feito ali em favor deles...


Um comentário:

  1. Parabéns Samuel pela pela matéria bem objetiva. Permita apenas uma observação: VONTADE POLÍTICA !

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