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31 outubro 2013

Os ciclistas da selva urbana: as cidades estão preparadas para recebê-los?

Disputando espaço em cidades que nunca se planejaram para receber veículos não motorizados, os ciclistas urbanos vão à luta. Querem mais respeito, mais ciclovias e apoio a quem troca o motor (e seus poluentes) pelo pedal*
O  futuro médico Paulo sempre gostou de pedalar, desde a infância, quando chamava sua amiga, a futura jornalista Renata, para irem juntos ao Parque do Ibirapuera, em uma ainda bucólica São Paulo do início da década de 1960. De lá para cá, os dois continuaram pedalando, mesmo que cada um tenha seguido rumo diferente na metrópole.

O sociólogo, e futuro vereador, José viveu um curto idílio ciclístico no período em que viveu em uma cidade próxima à capital dos Estados Unidos, Washington. Lá, reaprendeu a ter prazer em se deslocar para todos os lugares de bicicleta, como fazia quando ainda era um garoto adolescente em São Paulo. De volta à cidade, tornou-se cada vez mais sedentário; com isso, chegou a pesar 95 quilogramas em 2010, quando trocou o carro oficial pela bicicleta.

Já a futura jornalista Aline nunca pensou em se tornar uma ciclista urbana, muito menos uma ativista dessa causa. Quando chegou à capital paulista, vinda de Aracaju, ela se assustou com a imensidão da cidade e com o tempo que gastava de ônibus para ir de sua casa, no bairro de Perdizes, na zona oeste da capital, até a faculdade de Jornalismo, localizada na mesma região. Era mais de uma hora para vencer uma distância que, mesmo sem conhecer muito a cidade, a estudante desconfiava que não poderia ser muito grande.

foto: CET/Divulgação
Ciclofaixa de lazer: aos domingos, 84 quilômetros de vias livres para a circulação de ciclistas têm atraído mais paulistanos para a prática. [Modelo para outras cidades que desejam expandir o uso das bicicletas] Foto: Ricardo Chaves Prado


Guia de sobrevivência no trânsito:

1.    Seja visto: use luzes e refletivos (principalmente à noite) e tente se comunicar visualmente com os condutores.


2.    Conheça seu caminho: prefira ruas tranquilas e redobre a atenção caso necessite passar por um caminho que não conhece. 


3.    Ocupe a faixa: não pedale na sarjeta ou muito próximo à guia. Ocupe um terço ou metade da faixa. Isso facilita a visão do motorista e ainda permite que você tenha uma margem de manobra em caso de buracos ou grades de escoamento de água. 

4.    Não ande na contramão: você atrapalha outros ciclistas e pode surpreender motoristas e pedestres, colocando a sua vida ou a de outra pessoa em risco.

5.    Cuidado com portas se abrindo: os motoristas não costumam olhar para trás ao abrir a porta do veículo.

6.    Evite andar na calçada: caso não se sinta à vontade para andar junto com os outros veículos e precise ir pela calçada, respeite e dê total preferência ao pedestre ou siga desmontado.

7.    Estabeleça comunicação: Enquanto estiver pedalando, procure sempre manter contato visual com os motoristas e utilize as mãos para sinalizar conversões ou mudanças de faixa.

8.    Seja parte do trânsito: bicicleta na rua é um veículo e você deve encará-la como tal. Não precisa competir com os carros, basta antecipar-se às reações dos demais condutores e ser prudente.


9.    Não ultrapasse veículos desnecessariamente: Em muitas situações você ultrapassa um veículo e, em seguida, ele te ultrapassa. Evite esta competição desnecessária. 


10.    Ande bem equipado: capacete, óculos de segurança, lanternas traseira e dianteira, além de roupas claras e reflexivas, fazem parte do equipamento básico de todo ciclista urbano.


*Publicado na revista Horizonte, em 15/08/2013

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